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“As Servas estamos chamadas a amar como Maria”

 

Lima, 15 Agosto 2012.- Com ocasião de nosso XVI Aniversário de Fundação, lhes partilhamos uma entrevista realizada a Irmã Carmen Cárdenas que é a nossa Coordenadora Geral. Esta foi publicada na página web de Notícias Sodálites (http://www.noticiasdelsodalicio.com/ ).

 

As Servas estamos chamadas a amar como Maria

14/08/12, (Noticias sodálites - Perú). Com ocasião do XVI aniversário da Fundação das Servas do Plano de Deus, uma das ramas de consagradas da Família Sodálite, conversamos com a Ir. Carmen Cárdenas Cervantes, atual Coordenadora Geral das Servas, para que nos compartilhe sua experiência e o apostolado que realizam nos quatro continentes onde habitam.

A Ir. Carmen Cárdenas Cervantes ingressou na comunidade das Servas do Plano de Deus no ano de 1998. Pertence a esta congregação desde seus inícios. Seus primeiros estudos foram na Universidade Santa Maria de Arequipa. Acompanhada com outras irmãs em 2002, abriu a primeira comunidade das Servas do Plano de Deus fora do Peru, na Colômbia. Formou parte do grupo pastoral da Universidade Católica do Oriente, onde deu também aulas de humanidades, se encarregou de alguns programas radiais, e realizou acompanhamento espiritual e formação a jovens camponeses afetados pela violência. No ano 2003, professou seus Compromissos Perpétuos de Plena Disponibilidade Apostólica nas Servas do Plano de Deus. Pouco tempo depois de seu regresso ao Peru, foi nomeada Coordenadora Geral das Servas no ano 2006. Nesta oportunidade nos conta um pouco sobre seus inícios nas Servas, seu chamado e os desafios de hoje como Coordenadora Geral.

Como conheceu a Família Sodálite? Como se vinculou? 

Tinha aproximadamente 20 anos, estava por terminara a universidade e com todos os questionamentos e inquietudes sobre o futuro, quando uma companheira me convidou a uma atividade organizada pelo Arcebispado de Arequipa para realizar um censo aos restaurantes populares, fui e conheci a várias jovens que estavam ajudando nesse projeto. Pouco tempo depois, a partir desta experiência, fui me vinculando ao Movimento de Vida Cristã (MVC) e conhecendo mais a espiritualidade sodálite.                                                                   

 

Em que momento descobre o chamado para consagrar sua vida a Deus?

Penso que não houve “um momento”, mas minha vocação foi algo que se deu de maneira muito natural. Estava terminando a universidade e já estava mais comprometida no MVC, começava a descobrir a necessidade de ter uma vida espiritual mais sólida, uma oração mais íntima e permanente com Deus. Comecei a apoiar o apostolado em um centro pastoral e trabalhava nos projetos sociais do MVC (restaurantes populares, creches, postos de saúde); ali tinha contato com muitas pessoas necessitadas, crianças, jovens, adultos, idosos e tive a oportunidade de visitar a alguns enfermos terminais, de acompanhar e escutar a pessoas que sofriam ou solitárias. Creio que o contato com todas estas realidades me levou a compreender que minha vida devia ser dedicada ao serviço destas pessoas que sofrem, e que não era suficiente lhes dar pouco ou muito do meu tempo, pois eram muitas as pessoas que necessitavam e procuravam um sentido para suas vidas. Ressonava em meu interior o chamado a fazer algo mais pelos pobres, me descobria responsável deles, e o que fazia já não era suficiente; então compreendi que toda minha vida devia ser para Deus, porque dessa forma Deus poderia chegar até eles. Compreendi que o Senhor queria contar comigo incondicionalmente.

Como definiria a vocação das Servas do Plano de Deus?

Nós servas descobrimos o chamado de consagrar nossas vidas para servir a Deus e a nossos irmãos, de maneira especial aqueles que mais sofrem. Vivemos em comunidade, sendo ela parte fundamental de nosso chamado, nos entregando totalmente ao apostolado. Nossa total consagração a Deus se expressa de forma explícita no hábito que levamos, este é sinal da plena disponibilidade que vivemos e de nosso amor e serviço a Deus, e explícita adesão a Igreja; além disso, convida a refletir sobre as realidades eternas e a presença de Deus na própria vida, remitindo-nos ao fim último ao qual todo ser humano foi chamado. Nosso emblema, o Coração Imaculado de Maria, nos lembra que estamos chamadas a amar como Ela, cujo coração está totalmente conformado com o de seu Filho, o Senhor Jesus, para que cheias de seu amor o comuniquemos em nosso serviço aos demais, buscando alcançar a perfeição da caridade a qual estamos chamadas.

 A que trabalho as Servas do Plano de Deus se dedicam? Em que âmbitos prioritários realizam seu trabalho apostólico e caritativo?

Dedicamo-nos ao apostolado anunciando o Evangelho a todos, com uma especial atenção às pessoas frágeis, enfermas, pobres e necessitadas, buscando sair ao encontro dos que mais sofrem, nos quais descobrimos de maneira particular o rosto sofredor de Cristo. Em tal sentido, nossa ação apostólica e caritativa na Igreja se desenvolve em diferentes âmbitos como a saúde, a educação, o trabalho de assistência e promoção humana aos necessitados, a formação na fé, o trabalho com os jovens e as famílias. Em Lima, o lugar onde fomos fundadas, estamos encarregadas do Colégio “A Alegria no Senhor” para crianças e jovens com necessidades especiais e do Centro de reabilitação “Corpus et Vita”; damos catequese e fazemos trabalho pastoral em colégios e universidades, temos casas de repouso e desenvolvemos uma pastoral da saúde em clínicas e hospitais, entre eles no Hospital Naval do Callao, onde contamos também com uma comunidade. Por outro lado, junto a grupos de jovens e adultos voluntários, realizamos diversos projetos e campanhas solidárias, viagens de missões e obras sociais em distintos povos e assentamentos humanos.

Em que lugares estão? Quantas comunidades existem atualmente e de que nacionalidades são suas vocações?

Atualmente estamos em quatro continentes: América, Europa, Ásia e África, com 14 comunidades. Pertencem à instituição irmãs de distintas nacionalidades: de Peru, Equador, Colômbia, Argentina, Chile, Venezuela, Brasil, Costa Rica, China e Filipinas.

O que significa para as Servas ajudar aqueles que mais sofrem?

Quando se vive em contato com tantas pessoas que sofrem profundamente, você vai compreendendo que de nada valem as muitas ou poucas capacidades, nem os muitos ou poucos recursos, se não se põe ao serviço do Senhor, e que se Deus nos elegeu ao serviço do seu Plano, é para que sendo fiéis e nos esforçando cada dia por cooperar com sua Graça, o deixemos ser e obrar através de nós; então nos converteremos em testemunhas de verdadeiros milagres.

Por sua experiência, e agora como Coordenadora Geral, o que crê que motiva a muitos jovens questionar-se com a vocação a vida consagrada?

Os jovens estão em permanente busca e sem dúvida a principal pergunta é como fazer para alcançar a felicidade; contudo, não buscam a resposta a estes anseios em teorias ou discursos. Os jovens de hoje mais do que nunca buscam testemunhas, homens e mulheres que dêem testemunho com sua vida de que essa felicidade é possível e é real; muitas vezes esperam encontrar sua própria felicidade desde a experiência de outros. Por isso, o encontro com pessoas consagradas, que com sua alegria transmitem a Deus, que estão convencidas de que seu chamado a entregar a vida pelos demais vale à pena e que se esforçam por levar uma vida coerente e exemplar os atrai, o que os leva a considerar o caminho da vida consagrada como uma possibilidade para responder a seus anseios de infinito e, portanto a se perguntar se estão chamados a viver o mesmo.

Como foi a experiência de vocês, as Servas, ao fundar comunidades na África e Ásia?

Ir a um novo continente não deixa de ser um desafio, e creio que Deus quis que as Servas chegassem a esses lugares porque são terras de missão, onde existem fortes necessidades materiais e espirituais. Ao longo destes anos de servir a Igreja na Angola e Filipinas temos experimentado que existe uma profunda fome de Deus e esta busca em parte se vê respondida quando encontram testemunhos de pessoas que tentam saciar essa fome e necessidade não sempre atendida. Entre outros aspectos, desde os inícios, nos marcou a experiência de ver como os catequistas africanos, das aldeias e comunas da Angola, caminham ao redor de 4 horas sob o sol –posto que as vias em sua maioria ficassem destruídas pela guerra- buscando dar testemunho de sua fé a seus irmãos. Por isso quando chegam a nós nos sentimos responsáveis em dar-lhes uma sólida formação na fé, de aproximá-los mais ao Senhor e aos sacramentos, além do mais, de acompanhar-lhes em sua própria reconciliação. Por outro lado, o trabalho na área da saúde, que se vem realizando em hospitais sumamente pobres, fruto dos muitos anos de guerra, nos põe em contato com a realidade forte de um país que tem que ir ressurgindo. Em Filipinas viemos tendo a experiência de nos encontrar com a pobreza em todos os níveis, incluindo o aspecto moral. Atualmente só um reduzido grupo fala espanhol e além do inglês se falam cerca de 170 dialetos ao longo das mais de 7.000 ilhas que compõem o Arquipélago das Filipinas, o que implica um grande desafio para a evangelização. Contudo, o desejo de lhes anunciar a Deus e de buscar elevar sua dignidade, nos tem levado a realizar missões em várias ilhas, nas que, acompanhadas por um nutrido grupo de voluntários do MVC de Cebú, preparamos diferentes atividades como brigadas médicas, catequeses, oficinas de promoção humana e atividades recreativas. Agradecemos a Deus por estar neste país, um dos poucos de maioria católica na Ásia, um país com uma fé viva que se manifesta na cultura e em sua forte piedade popular. Por isso nos descobrimos alentadas a seguir com a tarefa da evangelização, cooperando com o Plano de Deus, para que desde Filipinas se irradie a fé e se estenda por todo o continente.

As Servas do Plano de Deus foram fundadas em 1998, na cidade de Lima. Estão presentes no Peru, Colômbia, Chile, Equador, Angola, Filipinas e Itália. As servas vivem a espiritualidade sodálite, e seu aniversário de fundação, será celebrado amanhã, 15 de agosto, solenidade da Assunção da Virgem Maria.